Dedico os versos abaixo a minha TUDO, Carmen, no dia do seu aniversário.
Posso já ter perdido a batalha.
Posso já ter perdido a guerra.
Posso até já ter perdido esta Vida,
Mas nunca vou desistir da Eternidade!
Toca uma música.Toca outra música.
A dança é fria.
Os sons são quentes.
Rostos maquiados, já com trilhas de suor…
Corações…
Tocam mais e mais músicas.
A conversa é fria.
As risadas são nervosamente quentes.
Elogios baratos…
Corações…
A balada chega ao fim…
A noite é fria.
As vozes morrem.
Carros ligados.
Corações frios voltam,
Calados,
Para casas
Frias.
Escrito em 25/07/1981. Republicado com pequenas alterações.
Em 1989 ou nos anos noventa, o texto abaixo (que já passou por várias alterações) foi inscrito por mim no concurso de poesias Nhô Bento, de São Sebastião. Não recebi nenhum prêmio… Já o publiquei no Imprensa Livre umas duas vezes, uma delas numa edição especial sobre o anversário de São Sebastião. Como dise, eu já o alterei muito. Se encontrar a versão original, eu a publicarei aqui.Eu, com minha maleta, engravatado,
Vou cumprir mais um dia de homem sério, carrancudo.
Paro meu carro, ligo o alarme, entro no prédio.
Papéis, papéis, papéis;
Tique-taque, tique-taque, tique-taque.
Bom dia! Boa tarde! Boa Noite!
Noite, tarde, dia.
Tudo vai passando.
E como passa depressa…
Ou eu passo com pressa por tudo.
Ou por nada…
Mais um dia, mais um mês, mais um ano.
Mas que nada!
Muitos anos passei sem ser, sem estar, sem sentir.
Muitos anos passei perdido, de carro nos pés, fumaça no nariz, cifrão no peito.
Muitos anos sequer fui, sequer estive…só passei.
Só um, só mais um…
Até que um dia me lembrei: “eu também já fui criança!”
E era feliz.
De repente, fiquei confuso:
Não sabia se eu era um adulto que já foi criança,
Ou se era uma criança que envelheceu.
Parei o carro, larguei a gravata, o relógio e o celular.
Entrei na areia, pisei o Mar.
Uma onda…duas ondas…três ondas…
O Mar sorriu para mim, feito uma criança.
E eu, assustadoramente desengonçado por falta de prática,
Também sorri.