COMO OS PAIS DOS PAIS DOS PAIS DOS PAIS…DOS NOSSOS PAIS
COMO OS PAIS DOS PAIS DOS PAIS DOS PAIS...DOS NOSSOS PAIS [ 3:53 ] Tocar Agora | Tocar num Popup | Download
Em recentes editoriais, o “Imprensa Livre” destacou, com muita propriedade, a necessidade do efetivo estabelecimento do Brasil como Estado laico. Em outras palavras, frisou que a religião deve ser respeitada, mas não como principal guia, personagem ou professora dos rumos do país.Diante, porém, da História e da configuração atual do mundo, vejo que estamos muito longe do ideal traçado pelos citados editoriais…
A maior contribuição de Karl Marx à Filosofia foi o materialismo histórico, segundo o qual não são as idéias que geram os fatos, mas sim as relações concretas entre forças (como o capital e o trabalho) que engendram as idéias. Embora essa visão seja plenamente científica, na prática da vida diária vemos que as coisas funcionam de outra maneira…
Imagine a população do Egito, cerca de quatro mil anos atrás, acreditando piamente que o faraó era um deus. Muitos de nós chegamos a dar risadas da ingenuidade daquele povo, não é mesmo?
Mas e hoje? A quase totalidade da humanidade ainda acredita em outros deuses. E os que acreditam no deus A chegam a dar risadas da ingenuidade dos que acreditam no deus B (e vice-versa). Mudou alguma coisa nestes quatro milênios?
De fato, basta abrirmos um jornal para constatarmos que guerras, genocídios, exclusões, intolerâncias ainda infestam nosso mundo, em grande parte tendo por motor a Religião.
Mas as crenças não se restringem ao campo religioso. A fé cega em algo que nos é dado de cima para baixo continua forte, e em vários outros setores da vida diária.
Professores e instituições de ensino, por exemplo, são julgados de acordo com os trabalhos publicados em revistas científicas. Quase ninguém questiona esse sistema (chamado de meritocracia pelos setores conservadores). Mas será que um professor que, no único trabalho publicado, revoluciona a Ciência, vale menos do que um burocrata que “produz” um artigo irrelevante por bimestre? E o que dizer de um mestre que, embora nada publique, beire a perfeição na transmissão de conhecimento aos seus alunos?
Talvez o maior deus de hoje em dia se chame Estatística. Num município onde ocorreu um crime no ano x, ocorrem, no ano seguinte, dois delitos. Resultado: a população se amedronta, diante dos 100% de aumento na criminalidade. Essa insegurança, porém, está para a realidade, assim como o indivíduo que nunca comeu frango está para os 50% da citada ave que lhe deveriam caber (lembrando aquela história: num país com dois habitantes – A e B – o primeiro come um frango, enquanto o segundo chupa o dedo; estatisticamente, cada habitante comeu meio frango…).
E o que dizer daquela dúzia de homens que decidem, como num campeonato de beleza, sem quase nenhum critério realmente objetivo, que o país D tem nota 7, o F tem nota 5,89, enquanto o G tem nota 9,8? Aliás, o que dizer da humanidade em geral, que dá tanta importância a essas notas? Em razão delas, surgem bancarrotas, desemprego, exclusões, guerras.
Mudamos algo nestes últimos quatro mil anos?